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13 de dez de 2011

Mila Stephanie Entrevista Cenas (Que Curto)

CenasQueCurto Blog

Cenas Que Curto é o nome de um conhecido site de músicas lusófonas. Identificado pelo seu conteúdo mais direcionado para a área do Hip Hop, muitos MC’s veem ali um método eficaz e rápido de divulgar às suas músicas. Existente há dois anos, é administrado por um jovem bastante simpático, conhecido como Cenas no mundo virtual. Durante uma entrevista informal concedida em tempo real via skype, Cenas falou-nos do sucesso do seu blog e juntos abordamos alguns assuntos relacionados ao actual estatuto do Hip Hop em Angola.


- Porquê optou por ser chamado de «Cenas » no mundo virtual?

Quando criei o blog, decidi por vários motivos que devia manter a minha verdadeira identidade oculta, e devido o blog, o primeiro «nick» que me surgiu foi "Cenas". Como já tinha conhecido alguém virtualmente com esse «nick», achei que não seria uma alcunha tão estranha de ser usada.

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Normalmente administra o blog sozinho ou tem colaboradores?

Tenho alguns colaboradores sim, que me enviam matérias, dão dicas para melhorar o blog mas «administro» sozinho.

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Há tempos publicou a minha entrevista com Eduardo Paim apesar do estilo musical conectado com à entrevista ter sido à Kizomba. Obviamente que serviu para mostrar que é amante de outros géneros musicais então porquê optou por criar um espaço só de Hip Hop?

Quando criei o blog, a ideia era (ainda é, mas prontos...) postar todas às Cenas Que Curto como, sem me prender a um estilo de música apenas. Mas desde sempre deixei claro que o blog estaria mais inclinado para o lado do Hip Hop. Sobre a publicação da entrevista com o Eduardo Paim, eu postei no blog porque sempre fui um fã incondicional dele e gostei realmente da entrevista. Por isso não pensei duas vezes na hora «roubar»... Com isso quero dizer que não precisa ser algo relacionado ao Hip-hop para eu publicar no blog basta ser algo que eu goste.

- Tenho observado que muitos jovens não pensam duas vezes quando decidem publicar às suas músicas ou mixtapes no seu blog apesar de existir outros meios mais tradicionais como às rádios por exemplo.Acredita que isso deve-se ao facto de haver pouco interesse destes meios para publicar o trabalho destes jovens e se sim porquê?

As rádios precisam dos artistas, mas como a procura é maior do que a oferta, eles não irão atrás de nenhum artista a pedir por músicas para poderem passar, por exemplo. Acredito que existem poucos espaços para os jovens divulgarem os seus trabalhos sim, e isso piora porque o acesso a alguns desses espaços não são nada fáceis.

Em Angola temos poucos programas de rádio dedicados ao Hip Hop, e mesmo nestes poucos, alguns estão «viciados», ou seja, passam quase sempre os mesmos cantores. Prefiro nem falar de programas de TV. Hoje temos vários blogs dedicando-se na divulgação do Hip Hop feito em Português, embora vejo que estamos a cair no velho dilema de «quantidade vs qualidade», mas acho que devemos ficar felizes com estes meios pelo facto de estarem a surgir e de alguma forma ajudar para o engrandecimento do nosso Hip Hop.

- Já que é tão ligado ao Hip Hop muitos ouvintes, apreciadores e não só «perdem-se» tentando perceber a diferença entre o Rap UnderGround e Rap Comercial. Qual é a sua percepção acerca deste assunto?

Olha, na minha opinião (mais do que pessoal) o termo "UnderGround" tornou-se numa gíria dentro do Hip-Hop. Digo isto porque o UnderGround que é tão exaltado no Hip Hop não é um estilo musical e nem uma vertente do Hip Hop, mas sim (como dizem os rappers) um estado de espírito.
Quando ouvimos no seio de Rappers o termo "UnderGround", normalmente estamos a querer falar de músicas que não têm muita visibilidade nas midias convencionais e que transportam mensagens mais «duras» no seu conteúdo. É um assunto complicado e esta é a analise que fiz depois de observar um pouco o «movimento hip-hop». Mas atenção, repito: Minha opinião pessoal.

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Então será que seria justo dizer que seu blog é um meio não Convencional de trazer a superfície o movimento Underground?

Sim, por enquanto os blogs podem ser encarados em países como o nosso (Angola) como sendo uma mídia não convencional.
Normalmente procuro ficar de lado nessa discussão (Underground Vs Comercial), porque eu curto Rap de todo o tipo, "do mais leve ao mais pesado, do mais estranho ao que aparenta ser mais normal", por isso publico tudo aquilo que me agrada, e ultimamente até algumas cenas que não me agradam...

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Mencionou há pouco que o site é acima de tudo bastante pessoal, sendo assim porque iria publicar algo que não o agrade?

Realmente quando criei o blog, a intenção era postar apenas «Cenas Que EU Curtisse», mas o blog cresceu muito rápido e comecei a receber muitas solicitações de rappers da nova escola (New School) principalmente para terem às suas músicas postadas. Eu vi que ajudaria mais o movimento abrindo às portas do blog para todos, por isso decidi mudar o «NickName do blog» de Cenas que Curto para Cenas Que Curtimos, e postar também algumas cenas que eu não goste, levando em conta que algo que eu não «curta», não significa que não seja bom, e que um hit para mim, não é necessariamente um hit pra ti e vice-versa...

CenasQueCurto
- Cenas, e quais seriam estas coisas que «não curtes» no Hip Hop?

Algumas atitudes dos rappers, às barreiras que os mesmos se criam, existe muita coisa, mas que normalmente me coloco como ouvinte e fico distante delas.
Não curtir algo também é relativo, não tem nada a ver com o rapper. Posso hoje curtir muito de uma música do Cfkappa (por exemplo) e amanhã não curtir de uma música do mesmo. Isso depende muito da forma que os meus ouvidos receberão a tal música.

- Desde Abril de 2009 que abriu o blog até os dias de hoje, acredita que houve mudanças significativas no Hip Hop em Angola?

Sem dúvida houve um grande aumento na procura nos últimos 2 anos sim. O Hip Hop em Angola teve uma alta por aí entre 2005/2006, e desde que os blogs começaram a ganhar força, o Hip Hop voltou a estar na moda, às pessoas têm onde encontrar mais informações sobre os seus rappers favoritos, e quanto mais informação circula, provoca mais conversas acerca do Rap. Posso dizer que o Hip Hop está a voltar a ganhar o espaço que perdeu para estilos como Kuduro e Semba, mas também temos que ter cuidado com o House Music que veio com muita força...

- Cenas, falando do Kuduro e da House Music tem-se também observado que depois da internacionalização do Kuduro e com a «descoberta» da música electrónica alguns rappers tendem a virar-se mais para esta área. Qual é à sua posição com relação a isso?

Primeiro gostaria de dizer que não tenho nada contra fusões, gosto de algumas, mas acho que a maior parte dos rappers que fazem as famosas fusões com Kuduro, têm como objectivo principal terem às suas músicas «a bater». Tudo começou quando viram que o Kuduro tornava-se no estilo «rei das pistas», mas agora com a vinda da House Music está em baixa e os mesmos rappers hoje estão a optar pelo Semba, House Music e outros estilos que estão a ser melhor aceites no momento; e dessa forma não tem como não chama-los de oportunistas. Isso é tudo que o nosso Hip Hop não precisa para crescer...

Cenas, costumo ouvir muito falar do Rap consciente, Rap com «mentalidade» mas também existe aquele Rap bastante comercial com mensagens impróprias e não tão «saudáveis» mas que ouvem-se por todo lado, ao contrário de algumas músicas BOAS e com mensagens positivas que não se ouve quase nunca. Como alguém que tem como objectivo principal divulgar à música diariamente ,como encara este processo?

Um rapper uma vez disse algo em uma das suas músicas e eu cito: "Às pessoas dançam melhor do que pensam". Às músicas mais dançantes chamam mais facilmente a atenção das pessoas e isso as torna mais aceites comercialmente. Como cada um escolhe o que quer ouvir, então nem sempre as melhores músicas serão as mais ouvidas. Sobre isso só tenho muito a lamentar...

- Apesar de alguns afirmarem que esteja a diminuir, a pirataria no nosso país ainda é um problema que afecta negativamente o mercado musical angolano. Diante do facto que o Cenas é alguem que divulga músicas online e gratuitamente fale-nos dos «cuidados» que tem para publicar músicas SEM comprometer os rappers.

Quando criei o blog vivia no Brasil, e tentava ao máximo levar o blog em conformidade com às leis aplicadas naquele país. No CQC criei um "Termo de Uso" ( me baseando nas leis Brasileiras) e nele estabeleci algumas regras para lutar contra a pirataria. Para além disso, tomo algumas medidas antes de colocar uma música ou álbum para download no blog, tais como: entrar em contacto com o dono, pedindo autorização antes da divulgação; à música (ou álbum) deve estar pelo menos a 2 anos no mercado entre outras medidas.

- Na sua opinião, desde o começo do ano até então, qual foi o disco mais importante de Rap?

Esse ano o Rap começou bem, com vários lançamentos. Em Angola, acho que é inevitável mencionarmos o álbum da Zona 5, que teve sucesso de vendas e não só. Mas como disco mais importante para o Rap diria que foi o "Um Em Um Milhão" do CFK.
Para o final deste ano ainda teremos muitos bons álbuns a saírem, e se calhar serão os melhores, mas por enquanto acho que é mesmo o UEUM...

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O que há no CD do CFKappa que não encontrou nos outros?

CFK é o principal representante do rap da nova escola em Angola, e se calhar ele nunca reparou que, dificilmente uma produtora em Angola apostaria em lançar o álbum de um Mc tão jovem quanto ele. Mas a Cérebro aceitou o desafio e lançou o álbum do CFK sem qualquer desconfiança. E ele, na minha opinião, fez um grande álbum, não pela idade que tem até porque não levei isso em conta na hora de ouvir o CD, mas sim pelo conjunto todo da obra. Coisas como essa mostram o quão importante foi o lançamento do álbum dele...

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Sem dúvida é um amante do mundo do Hip Hop mas porque não é rapper? Existem muitos produtores e jornalistas neste ramo que também «cantam» porque não o Cenas?

Não sou rapper simplesmente porque não tenho skillz para tal. Acho que contribuo mais para o Hip Hop «blogando» apenas, pois como Rapper não acrescentaria nada de positivo ao movimento...

- C
omo compartilha a vida «blogal» com a vida estudantil?

Felizmente estou livre da escola temporariamente, mas quando estudava era mais fácil para mim, por incrível que pareça. Acho que o segredo está em conhecer bem a ferramenta que usamos, o blogger nesse caso, pois sabendo usar a ferramenta podemos actualizar o blog sem comprometer os estudos. Vale também revelar aqui que criei o blog durante uma aula... rsrsrsrs (Não sigam o meu exemplo)

- Consoante aos seus estilos de música quais são os seus cantores preferidos?

Semba: Paulo Flores; Kuduro: Máquina do Inferno (RIP), Rapper Luso: Boss Ac...

- Porque nunca mostra o rosto nas redes sociais?

Criei o blog no Brasil ciente das dificuldades com a internet em Angola, então decidi que o "Cenas" seria aquele que administra o blog e não eu necessariamente.
A minha ideia inicial era que quando estivesse a voltar pra Angola, encontrar outro admin pro blog, lógico que com uma busca muito bem feita... Mas hoje, feliz ou infelizmente isso já não é possível...

- Porque Não?

Porque envolvi-me demais com o blog, e prefiro me «matar» com a internet de Angola para actualizar o blog ao invés de ter que deixa-lo nas mãos de outra pessoa...

– Será que um dia o Cenas ainda revela a identidade verdadeira?

Sim claro, até porque muita gente já me conhece. Era complicado quando vivia no Brasil, mas hoje participo de eventos ligados ao Rap como "Cenas", então não tem misterio nenhum nisso...

- Cenas recebi algumas críticas de jovens angolanos que dizem que publicas muitas músicas promocionais de brasileiros, porquê?

A ideia do blog é de promover Hip Hop Lusófono e todas as cenas que curto, e o Rap brasileiro se enquadra tanto no Hip Hop Luso, quanto nas cenas que curto. Tento variar mas entendo às críticas, até porque já lá se foram os tempos em que em Angola se consumia muito Rap Brasileiro, mas como sei que é de boa qualidade, estou na luta para que às pessoas voltem a ouvir o bom Rap Brasileiro.

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Recebe alguma ajuda financeira para o blog?

Até o momento nunca recebi nenhuma ajuda financeira, feliz ou infelizmente... Muita gente já me aconselhou a passar a cobrar alguma coisa por postagem no blog, mas acho que isso seria o principio do fim do blog.

– Bem Cenas chegamos ao fim, mais uma vez muito obrigada... Quero que termine com uma mensagem não para os seus fãs pois sei que não os classificarias deste modo mas para teus seguidores.

Gostaria primeiramente de agradecer-te Mila, pelo convite para à entrevista, muito obrigado mesmo e continua com o belo trabalho que tens realizado no teu blog e não só. E agradecer a todos aqueles que contribuem para o crescimento do blog Cenas que curto, quer visitando, enviando às suas cenas, divulgando, etc... Muito obrigado a todos...

Veja esta entrevista no site dos JdB na
Platina-Line ou no JdB-PL 
Fonte:
www.milaeamigos.com

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