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8 de ago de 2009

Kalibrados "não foi bluff, nem sorte"[Entrevista ao "O Pais"]


Diz-se que à primeira vez todos têm sorte. Foi o caso do primeiro álbum dos Kalibrados. Negócio Fechado foi um sucesso instantâneo. Havia, por isso, uma enorme expectativa em relação ao segundo álbum. Três anos depois Cartas na Mesa desfez todas as dúvidas. A banda está mais madura mas mantém o fôlego e a irreverência dos primeiros tempos. O público foi a jogo, comprando 11 mil CDs nas primeiras doze horas após o lançamento e esgotando a Casa 70 na quarta feira.


O concerto de apresentação ao vivo de Cartas na Mesa foi uma espécie de apoteose da banda. Participaram cantores nacionais e internacionais de renome, caso de Virgul, dos portugueses Da Weasel, os cabo-verdianos Dino Sol e Nelson Freitas e os nacionais Nice Dji, Lawilka e Edimasia. Laton – o produtor da banda –estava consciente da importância do momento.


“Tínhamos uma grande responsabilidade neste álbum. O nome do disco Cartas na Mesa teve o propósito de mostrar ao público quem nós somos, numa altura em que a pergunta que mais se fazia era se conseguiríamos manter ou superar o sucesso obtido com o primeiro disco”.


De facto, a fasquia estava muito elevada. Nos últimos três anos, os Kalibrados amealharam inúmeros prémios e distinções, casos, entre outros, do Top dos Mais Queridos, Prémio Coca- -Cola, Prémio “Álbum do Ano” e “Artista Revelação” do concurso Moda Luanda, Prémio “Melhor Grupo de Rap” e “Grupo Revelação” do Top Rádio Luanda. Destaque ainda para o Top Bombástico, da Rádio FM ou o memorável Show Casa Blanca, promovido pela Luanda Antena Comercial (LAC).


Não foi bluff nem sorte, apenas talento. Tudo às claras, sem trunfos escondidos, sem ases na manga. Perguntas directas. Respostas prontas. Eis os trunfos dos Kalibrados na primeira pessoa.



Porquê o nome Kalibrados?

Inicialmente o grupo tinha três elementos e o nome era Calibre 58. Mas devido à dificuldade do público em memorizar o nome e com a entrada do quarto elemento, o Laton, baptizámos o grupo de Kalibrados, associado à ideia de calibrar os pneus dos carros para uma viagem estável e segura.


Como começou o grupo?

Em 1999, o Kadaff e o Vui- -Vui eram colegas de escola e já tinham um grupo de underground. Ambos conheceram o Mister K, um rapper de rua que fazia free style, e convidaram-o a juntar-se a eles. Em meados de 2004, quando decidem lançar o disco na produtora do Laton, decidiram integrá--lo também no grupo.


Quem é o vocalista principal?

Não existe um vocalista principal. As músicas são divididas em três partes. Os três vocalistas escrevem e interpretam a sua parte de forma sincronizada. O Laton tem a seu cargo toda a parte técnica – desde a gravação à produção e pós-produção.


Quem é o patrocinador oficial?

Também não temos um patrocinador oficial. Há sim pessoas que apostaram em nós – como é o caso de José Ramos da Richie Solution, o Eugénio da LS Produções e, por fim, os familiares e amigos do grupo.


Quem escreve as letras?

Os temas, na sua maioria, são pensados no estúdio. O Mister K tem trazido muitas ideias novas. Mas os refrões são todos feitos pelos quatro elementos do grupo.


Entre os vossos dois discos qual foi o mais vendido?

Sem dúvida, o segundo. Em Negócio Fechado produzimos apenas mil discos que se esgotaram em apenas três horas. Nessa altura, há três anos atrás, era muito dificil um grupo vender mais de dois mil discos na portaria. Em Cartas na Mesa vendemos 11 mil discos em doze horas (das 5h às 17h).


Que prémios receberam?

Com Negócio Fechado creio que ganhámos todos os tops de rádios, por exemplo, os prémios Rádio Luanda, top dos Mais Queridos, Moda Luanda, Prémio Coca-Cola, LAC grupo revelação, melhor grupo de música moderna e musica jovem.



Em que países já actuaram?

Estivemos na Namíbia, África do Sul, Moçambique, Portugal, Espanha, Alemanha, Suíça, etc. Fizemos 150 concertos nos últimos três anos.


Com que cantores internacionais já partilharam o palco?

Fizemos a abertura dos concertos de alguns cantores famosos como DMX, Missy Elliot, Kanye West, Pharrell Williams e 50 Cent.



Quais foram os vossos melhores momentos?

É difícil escolher. Cada momento teve a sua importância em determinada altura. O nosso espectáculo de estreia, no Cine Atlântico, foi importante. Nós éramos cabeça de cartaz mas só entrámos para o palco por volta das 2h30 dado que o elenco era muito grande. Ainda assim encontrámos a sala cheia com o publico à espera dos Kalibrados. Salientamos também o Show Caras na África do Sul, numa discoteca que estava lotada e onde o público invadiu o palco. Ou ainda o lançamento na Casa 70, onde o dono referiu que desde Percy Sledge, nos anos oitenta, que a casa não enchia tanto.



E os piores momentos?

Foi no dia 29 de Dezembro, não me esqueço da data (risos). Num espectáculo de desafio com a Army Squad, o público achou que os Kalibrados se estavam a exceder e vaiaram-nos com gritos e insultos. Foi a maior humilhação. Entretanto fizemos as pazes com os Army Squad e até vamos lançar um projecto comum.


Consideram que o rap em Angola tem dado os passos certos para se firmar como referência mundial?

Tendo como referência o ano de 2005, lançaram-se, em média, cerca de 200 discos de hip-hop. Desses apenas pouco mais de cinco tiveram sucesso e conseguiram afirmar-se no mercado. Devido à versatilidade do rap creio que é importante recuperarmos os nossos ritmos antigos, desde o kilapanga ao semba, e transportá-los para o hip-hop de forma a sermos mais originais. Creio que como africanos, temos que pegar no que é nosso para nos tornarmos mais originais e sermos uma referência mundial.


Elejam três rappers nacionais?

Big Nelo, pela mesma presença de peso que tinha há 15 anos atrás e MCk, pela vertente mais politica.


Três grupos de rap angolanos?

SSP, por serem os pioneiros. Army Squad pela carreira. Polivalentes, que apesar de estarem no anonimato, são uma banda conhecida pelas pessoas que se interessam pelo hip-hop.


Dos novos valores quem poderá vir a ser uma grande referência?

Malefuck e Teachesr do Flow.


Porquê o título do álbum Cartas na Mesa?

Com o sucesso do primeiro disco a principal pergunta que nos faziam era: e o segundo, será que irão conseguir? Daí o nome.



Falem-me um pouco mais deste novo álbum?

Tanto os temas do primeiro disco como os do segundo, baseiam-se no dia-a-dia dos jovens angolanos. Acreditamos que em Cartas na Mesa estamos mais maduros passando mensagens positivas, numa altura em que o país está em reconstrução. Esta é a altura de mudarmos as mentalidades e semearmos o orgulho de ser angolanos.


Porque demoraram tanto tempoo – três anos – para lançar um novo disco?

O álbum saiu na altura que nos foi possível. A principio queríamos dar apenas um ano e meio de vida ao primeiro disco. As coisas não aconteceram como o planeado, mas as mudanças foram pela positiva. Tivemos muitos espectáculos – quer a nível nacional, quer internacional – o que fez com que nos atrasássemos na produção do disco.


Que produtores participaram neste disco?

Foi um trabalho que envolveu várias entidades. A produção foi da responsabilidade da Mil Mambos que é uma produtora independente onde participam Laton e Vui-Vui. A distribuidora nacional foi a LS Produções e em Portugal foi a GZ Produções. A masterização foi feita em Paris pela Master Disk Europe, os arranjos finais de pós-produção foram realizados em Portugal nos estúdios da Ground Zero. E finalmente os masters foram feitos na África do Sul.


Quem foram os cantores convidados a participar em Cartas na Mesa?

Internacionais: Virgul, dos Da Weasel, Dino Sol de nacionalidade cabo-verdiana, e Nelson Freitas. Nacionais: Nice Dji, Lawilka, Edimasia e o Canda.



Quantos exemplares foram produzidos e vendidos?

Já vendemos 11 mil discos, dos 15 mil produzidos. Dos quatro mil restantes far-se-ão as vendas e o lançamento nas províncias de Benguela, Huíla e Namibe.


Os SSP são os pioneiros do rapper em Angola. O que pensa deles?

Paul G tem hoje uma carreira a solo. Jeff Brown e Big Nelo continuam juntos. Existe ainda aquela saudade e a vontade de voltar a vê-los novamente juntos. Eles são uma grande referência para todo os grupos de rap.


Confirmam o plágio feito pelo grupo de rap moçambicano Duas Caras à musica “Kalibrados”, onde o coro parece ser o mesmo?

Não. Não foi um plágio. Duas Caras é um grupo amigo e de referência para os Kalibrados. O que se passou é que a nossa música teve um grande impacto em Moçambique e eles fizeram um remix à maneira deles. Nós gostamos deles e reconhecemos o seu talento.


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