
Primeiro, devo pedir desculpas pelo (longo) tempo de ausência dessa coluna que prometia ser semanal, ou quinzenal, no pior dos casos.

Quando me falam de Hip Hop lusófono, sinceramente, não me vem outro nome à cabeça: Gabriel o Pensador.
Tem 7 álbuns, 6 de estúdio e um ao vivo, todos eles com um grande impacto, cada um ao seu jeito. Poderia trazer um especial para analisar cada um dos álbuns, dar notas, criticar, aplaudir… mas não é esta a altura, nem o lugar. Para os que não se recordam, esta é a coluna “Álbuns Marcantes”, portanto, tenho de escolher um álbum que tenha sido um ícone.
E claro, eu só podia escolher o primeiríssimo álbum: “Gabriel o Pensador” – marcou a entrada desse MC carioca para o grande plano, aliás, quantos Rappers seriam loucos teriam coragem para dizer “Tô Feliz (Matei o presidente)” – uma música que foi censurada na altura.
Este álbum continha 10 faixas de pura verdade, O pensador começou “Abalando” as estruturas do Brasil com linhas pesadas, continuou e mandou o seu famoso recado ao presidente (que citei acima). Para não pensarem que era o álbum que só criticava os políticos e o “sistema”, ele avançou e falou da “Lôrabúrra” – aquele tipo de mulher que todo mundo conhece, mas preferia não conhecer, enfim, um apelo ao desenvolvimento do lado intelectual das mulheres.
Para não variar, Gabriel criticou directamente o exército Brasileiro com o som “Indecência Militar”, repito: quantos Rappers seriam loucos teriam coragem de fazer isso num álbum de estreia, numa época de transição política no Brasil, em 1993.
Uma atenção especial tem de ser dada agora, o Mega Clássico (Mega Hit, como preferirem) – “Lavagem Cerebral” – que alertava RACISMO É BURRICE, um tema polémico, uma vez que o Brasil é um país que ainda se verificam muitos casos de racismo e exclusão social. Essa música ouve-se ainda hoje e vos digo, ainda não ouvi ninguém a dizer que não era um “som clássico”, ninguém mesmo. Continuando na senda do ser consciente, o Pensador trouxe um pouco de si, falou da sua identidade cultural e questionou aos Brasileiros (e ao resto mundo) se sabiam quem eram, se tinham identidade, numa música com um título sugestivo: “…e você?”
E o ritmo “insano” não parou, com outro sucesso mundial: “Retrato de um PlayBoy (Juventude Perdida)” – acho que nem preciso de descrever essa música… são linhas reais e que (infelizmente) ainda se verificam. Para iniciar a fase final, um dos meus sons favoritos no álbum, “175 nada especial” – a descrição de um dia típico no Rio de Janeiro, um verdadeiro cartão postal da cidade, não esquecendo de mencionar os seus problemas típicos. Só escutando para perceber.
“Esperanduquê” é dos sons mais “old school” do álbum, um beat corrido, com rimas mais do que explícitas. Resumindo: Punchlines para todos Brasileiros (claro que muitos outros países se identificam com aquelas linhas).
A última música do álbum conta a história do homem que queria morar numa favela, o sonho dele era morar numa favela, “O resto do mundo” é um som conhecido pelo mundo todo, um hino contra a exclusão social.
O artigo ficou extenso, mas espero que leiam até o fim, que ouçam o álbum – para quem não ouviu ainda – e decerto que vão concordar que esse foi um dos álbuns mais pesados da história da lusofonia, o Pensador no seu melhor.
Discografia, Letras e até algumas músicas, visitem o site oficial do homem – Gabriel o Pensador, e se precisarem de ouvir qualquer música desse álbum, procurem pelo título no Youtube, que encontram rápido.
Texto Por: Cognitivo
Hip Hop é uma cultura jovem com aproximadamente 35 anos de existência, cultura esta que tendo se originado nos Estados Unidos da América, rapidamente se transformou em patrimônio mundial. Chegou a África não como a febre aftosa invasora do imperialismo/colonialismo o fez (por meio de Igrejas). Antes pelo curso normal do modernismo a que se instalou.
Chegou particularmente em Angola finas de 80, princípios de 90 e apresentava um quadro original, repleto de técnicas, causas e conseqüências .
O cenário era marcado por um lado pelo grupo SSP, que na altura eram os únicos rappers com obras discográficas no mercado, e por outro um vasto leque de rappers, activistas, verbais equilibristas que defendiam os reais fundamentos da cultura Hip-Hop. Dentre eles destaca-se o Mc Katrojipolongopongo ou simplesmente “Mc K”.
2000 foi um ano marcado pelo despertar da mente, de um movimento independente, também conhecido por circuito fechado, e a chave d’ouro do inicio deste milênio foi sem sombras de duvidas, o precioso petróleo bruto, proveniente do chafariz do Hip-Hop em Angola que nada mais é do que a saudosa produtora independente “Masta K”, que em 2001 fez jorrar para toda a lusofonia e o mundo um dos primeiros álbuns clássico do movimento Underground, o álbum de estréia de Mc K “Trincheira de Idéias”.
Se nos atermos a motivos alheios a Revolução Francesa, diríamos que esse memorável álbum é criteriosamente de “Esquerda” como o coração que pulsa no peito do Katroji. É um álbum politicamente incorreto e lançado numa época em que o cerne da Guerra civil em Angola caminhava para o seu ápice, obviamente era necessário que a coragem de um fosse maior que o medo de muitos (a esmagadora maioria).
Aliado as dificuldades por que se passava o movimento Hip-Hop, surgia com essa obra, a formula para todos os outros rappers que aspiravam lançar obras discográficas de forma independente.
A sonoridade rústica, os samples criteriosamente seletos e repletos de musicalidade angolana, os temas abertos a discussão, espelhavam as feridas de um povo a muito oprimido bem como as doenças e as crises do modernismo que a cultura européia havia implantado.
Katroji, tratou de ambientalizar a todos aqueles que abraçassem o seu rap, ao linguajar tipicamente angolano, com rimas sempre bem assentes, com uma métrica fora do comum e uma escrita bastante erudita.
Todos esses elementos acima citados fazem desta grandiosa obra discográfica um “Clássico” do Hip-Hop Angolano.
Texto Por: José Lino
Clique na imagem para baixar esse que é um dos álbuns mais marcantes de sempre da nossa biblioteca de Rap Lusófono…
Deixem os vossos comentários, criticas, sugestões e até a próxima quarta-feira com mais um álbum marcante…
“O Movimento” sempre esteve repleto de MCs, de produtores, divididos em várias eras, em vários estilos. De tempos em tempos alguns decidem passar para outro nível.
Não se agrada Gregos e Troianos ao mesmo tempo, por isso abre-se aqui uma “janela” para se felicitar MCs/Produtores pelos trabalhos clássicos.
Como temos milhões de músicas a circular por ai, a idéia é priorizar os álbuns marcantes da lusofonia…
Deixando a conversa de lado, vou indicar um dos álbuns mais estruturados da lusofonia (não se esqueçam que não estou a ordenar nada, não é um top, não há gerações, só a indicar álbuns marcantes), voltando ao álbum, seria o “Sintoniza”.
Quem acompanha o rap lusófono, em particular o “Rap Tuga” já ouviu falar desse álbum do integrante do grupo “Dealema”, o conhecidíssimo “Fuse” tcc Fusível, Fusão em Estéreo, ou ainda “Inspector Mórbido”.
“Sintoniza” é o segundo álbum a “solo” do MC Português, de Nova Gaia. Este trabalho me surpreendeu pela qualidade enorme! Até agora, desde 2003, têm saído álbuns com bem menos qualidade. Pensado do princípio ao fim. Desde o Intro, Skits, Participações, enfim… Já não se podia rotular como um álbum de Horror-core, Hardcore ou o que queiram chamar… Sintoniza é simplesmente um clássico.
Já agora, participações especiais: Dealema (Ex-Peão, Maze, Mundo), Sagas, D-Mars e Martinez. Dá pra ver o nível, certo?
Músicas Chave: Soldado com a caneta de aço, Mais um dia, Quantas vidas Passaram, Advinha, Psicofonia, Eterno no teu ouvido… (por mim indicava o álbum todo, mas não estaria a vos orientar)…
Bom, para terminar, cliquem na imagem acima para download do álbum. Baixem, comentem… Quem já ouviu diga se concorda com a escolha das músicas chave e fiquem a vontade caso queiram acrescentar mais alguma coisa sobre esse grande clássico do Hip Hop Lusófono.
Texto por: Cognitivo
E a rubrica/coluna continuará, com outros álbuns, um a cada quarta-feira, com sugestões vossas claro.
Mandem vir texto falando do álbum que mais vós marcou para enriquecermos esta coluna com os álbuns que mais curtimos e mais nós influenciaram…

Fiquem ligados ao CQC que prometemos mante-lo informado sobre vários assuntos do seu interesse, Cenas Que Curtes de certeza.
